sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Portugal, um país censurial




Fui clarissimamente vítima de CENSURA. A poucos dias do lançamento do meu livro "Confidências de um português indignadíssimo" o Instituto Camões anulou à última hora o respectivo evento. Há muito que tinha sido agendado para o dia 20 de Outubro nas instalações do Instituto Camões - Centro Cultural Português no Luxemburgo. A medida tomada por esta instituição pública é absurda, retrógrada e inconcebível. Vi-me forçado a ter de procurar outro local para esse efeito.
Qual, então, o motivo da anulação? Dois dias depois da data agendada, hélas, o cabecilha, -- o pontifex maximus do regime pseudodemocrático vigente em Portugal -- o primeiro-ministro Passos Coelho, virá em visita oficial a este País [Luxemburgo]. A lógica pode parecer paradoxal. Mas não! Porque o motivo da indignação descrita no livro teria direito ao seu contraditório. Quando, porém, a interpretação da lógica do acaso da vida fica entregue a "funcionários", o disparate espreita. As subtilezas do aparelho repressivo são deslumbrantes. Fazem explodir em mim um profundo e irreprimível sentimento de revolta. E ao mesmo tempo, não deixa de ser compreensível o mesmo modo de funcionar que está a ser denunciado. Mas a injustiça como o amor não podem ser calados.
O meu livro é um sincero retrato do Portugal actual. É uma legítima denúncia da desastrosa política do governo que, vai para quatro anos, nos saiu em rifa à nossa democracia. Mas este livro é, antes de mais, e acima de tudo, uma obra literária e escrita na língua de Camões.
Ora parece ser um dado adquirido que é dever do IC -- está escarrapachado na Constituição-- promover a língua e a cultura portuguesas, bem como zelar, o mais convenientemente possível, pela política cultural externa de Portugal. Independentemente de cores partidárias, ideologias e credos, aqueles que se propõem promover a língua e cultura portuguesas têm de ser apoiados incondicionalmente.
Uma pergunta pertinente impõe-se: passado já o bonançoso pórtico do século XXI, a décadas do Salazarismo, a milhentas milhas de Portugal, no âmago da União Europeia - e não falo apenas geograficamente -, como é possível ocorrer uma situação desta natureza?
A resposta parece ser: a acção do braço tentacular da censura.
Não o sabia assim tão comprido - chega ao Luxemburgo! -; e ignorava de todo a sua agilidade, desempenho e eficácia.
Isto vem confirmar aquilo que há muito aprendemos nas aulas de História:
que as ditaduras têm medo da literatura,
que as nossas instituições públicas padecem de uma irreversível subserviência face à ditadura que impera no nosso país. E ai daquela que não se ajoelhe diante de suas santidades.
É inadmissível!
Que desilusão com tudo isto. "Desilusão" é uma palavra que não foi afectada pela crise. E a minha desilusão é total.
Infelizmente, a censura fez quase sempre parte integrante da nossa História. Imperou em muitos dos períodos da nossa vida colectiva. Constituiu uma arma de defesa dos aparelhos da Igreja e do Estado. A censura desfez muitos textos, escritores e jornalistas. Pelos vistos a razia continua, embora mais dissimuladamente. Talvez aqui se encontre a explicação por que nos separam da Europa distâncias impossíveis de encurtar.
A verdadeira liberdade só nos é dada ver à distância!
Durante a ditadura do Estado Novo, a censura esteve sempre muito activa em relação à literatura: suprimia, alterava, cortava palavras, expressões ou parágrafos inteiros, adiava ou impedia a saída de textos e livros. Hoje, impossibilitada de quejandas restrições, a ditadura do actual governo consegue, mesmo assim, anular lançamentos de livros em instituições públicas, consegue calar jornais, jornalistas, escritores, poetas, leitores e cabeças pensantes.
Veja-se o que fizeram recentemente ao Baptista Bastos. Calaram-no. Puseram-lhe um ponto final, neste País onde ninguém consegue pôr ponto final a esta conjuntura negra, deletéria. Nem consegue pôr fim a este bando de pulhastros.
Com tudo isto, aprendi uma grande lição: Portugal, mais que irreal ou surreal, é um país "censurial"!
Também a mim pretendem calar-me. Mas a minha voz é insuceptível de ser calada - e o meu livro será lançado no dia 20 deste mês.
Entretanto, a tarefa, não isenta de óbices, de encontrar um local para o lançamento do meu livro obteve sucesso.
Por conseguinte, e visto que não vou ceder a repressões, mantenho firme a intenção de lançar o meu livro no dia 20 deste mês.


A sessão terá lugar na Brasserie Curé, 3, Rue du Curé, na cidade do Luxemburgo, às 18h30, e contará com a apresentação de Belmiro Nariño e João Verdades dos Santos.
Faltam 5 dias para o ébola chegar ao Luxemburgo. A comunidade portuguesa aqui residente está aterrorizada. Por falar em vírus letais e portugueses, não se esqueçam de que o lançamento do meu livro vai ter lugar na capital luxemburguesa no dia 20. Apareçam, até pode ser que consigamos criar um antídoto.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Lançamento do "Confidências de um português indignadíssimo"


A sessão de lançamento do meu livro decorrerá no Centro Cultural Português no Luxemburgo - Instituto Camões, no dia 20 de Outubro (segunda-feira), pelas 18:30. 





A obra será apresentada por Belmiro Narino e  João Verdades C Santos.
Em colaboração com a Chiado Editora e o Instituto Camões.

"Confidências de um português indignadíssimo"

Quem quiser adquirir o meu livro, já o pode fazer. Podem encomendá-lo online na Bertrand e na WOOK, ou então comprá-lo nas cadeias: Fnac, Bertrand, book.it e El Corte Inglés (Portugal) / Fnac, livraria cultura e Saraiva (Brasil). 
P.V.P 13 euros

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

"Este ano prevejo um inverno friíssimo lá para os lados da Europa ocidental." - Vladimir Putin

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Buracos



Buracos negros no universo, um buraco na camada de ozono, buracos na Sibéria, buracos nas estradas, buracos nos queijos, buracos nas agulhas, um buraco no bolso das calças, e agora o BES(ta) com um buraco de 3555 milhões. Isto anda tudo esburacado. Tenho vontade de enfiar-me num buraco. Entretanto, coincidência ou não, começou agora mesmo a tocar na rádio uma música dos Buraka Som Sistema. Bem, pensando melhor, em vez de emburacar-me, vou antes abrir uma loja de betumes.