quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Manifesto Anti-Troika


(É necessário ter muito cuidado com a troika: a besta anda à solta! )

Que fique bem claro: Portugal e os portugueses odeiam a troika! Odeiam-na!  Detestam-na! Execram-na! Abominam-na! Sentem asco, nojo, repulsa, aversão! A troika fede! A troika dá vómitos! Que fique bem claro: a troika é e será sempre mal-vinda a Portugal!
Fora com a troika!EFora!
A troika quer transformar Portugal no primeiro buraco negro do nosso sistema solar!
A troika quer transformar Portugal num kamikaze económico e social!
A troika que transformar Portugal num anómalo robot!
A troika quer transformar Portugal num “bom aluno” acéfalo e obediente!
A troika quer transformar Portugal numa sucursal da miséria!
E a  déspota faz tudo isto a sangue-friíssimo! Idiossincrasias de uma ditadora!
Para a troika, essa chacinadora, Portugal não tem dez milhões de habitantes, dois milhões dos quais são pobres: para a vigarista, Portugal  tem défice orçamental, tem dívida pública!
A troika é um monte de estrume, um antro de jagunços, um monturo de neoliberais malvados, uma porcalhada de consultores gananciosos, um esgoto de ladrões, uma açorda de analistas autocratas, uma fossa de usurários, um bordel de esmifradores, uma sucata de alcoviteiros, uma tribo de depenadores, um comité de economistas azémolas, uma comissão de canalhocratas, um coro de excrementos!
Fora com a troika!EFora!
A troika é feia como a Merkel!
A troika é feíssima como a Merkel!
A troika veste-se escandalosamente mal como a Merkel!
A troika não percebe patavina de matemática, de economia, de finanças ou do que quer que seja!
A troika não sabe avaliar, nem analisar, nem negociar, todavia é precisamente isto que vem fazer a Portugal! Vem desfazer-nos!
Fora com a troika! EFora! Fora!

A troika é uma puta!
A troika é uma grande puta! Uma grandessíssima puta, para sermos mais exactos. A exactidão neste caso particular não é despicienda: contribui para uma compreensão mais elucidativa dos desígnios meretrícios desta messalina!
A troika é uma filha da puta!
A troika é uma colossal filha da puta!
A troika é uma proxeneta!
A troika é uma ladra, uma usurpadora!
A troika soma austeridade a mais austeridade e multiplica tudo por austeridade!
A troika copula com o FMI, fornica com o BCE e pina com a Comissão Europeia!
A troika é uma putarrona!

Quem pensa que ela é, a rapinante, para vir aqui aumentar os impostos de quem trabalha, investe e consome?!
Quem pensa que ela é, a extortora, para vir aqui falir empresas e despedir milhares de trabalhadores?!
Quem pensa que ela é, a prepotente, para vir aqui extinguir os serviços públicos de saúde, educação e segurança social?!
Quem pensa que ela é, a carnífice, para vir aqui tratar desapiedadamente os desempregados, os idosos e os doentes?!
Quem pensa que ela é, a tirana, para vir aqui condenar os jovens à precariedade e à emigração?!
Fora com a troika! EFora! Fora! Fora!

A troika é uma cornuda!
A troika tem os cornos do tamanho do PIB alemão!
A troika não regula bem dos cornos!
A troika merece os cornos partidos!
A troika adora a subserviência e o servilismo demonstrados pelas autoridades portuguesas!
A troika adora vir comer e petiscar a Portugal!
A troika come com as mãos!
A lambona lambuza-se toda a comer!
A troika adora o vinho português!
A troika apanha valentes bebedeiras com vinho do Porto e depois desanca no povo português até se fartar!
A troika é uma beberrona!
A troika tem mau vinho!
A troika é bruta, é violenta!
A troika, mesmo nas suas bebedeiras menos alcoolizadas, dá valentes tareias no povo português!
E os nossos governantes recebem-na de braços abertos!
E os nossos governantes cumprimentam-na!
E os nossos governantes inclinam-se em reverentes vénias!
E os nossos governantes perguntam-lhe “como vai”, “como tem passado”!
E os nossos governantes dão-lhe conversa, atenção, crédito e credibilidade!
E os nossos governantes acatam as suas opiniões, conselhos, avaliações, pedidos, receituários, exigências e imposições!
E os nossos governantes, obedientes, cordatos, solícitos, aceitam de bom grado todas as suas paranóias!
E os nossos governantes, quando a troika regressa ao quartel general, despedem-se dela, estendem-lhe as manápulas  e desejam-lhe “boa viagem”, à coia, à patife!
E a troika, sempre sorridente, a gananciosa, agradece as palavras e declama um sorridente “até à próxima”!  
A larápia sabe que vai voltar, a coia, a patife, a velhaca!
E os nossos governantes  enviam-lhe postais de aniversário e de boas-festas!
A troika retribui à sua maneira, enviando bilhetezinhos decorados com tiradas do género “estão no bom caminho, queridos”!
E os nossos governantes ficam contentíssimos, combinam jantaradas e descarregam discursos de pura demagogia de autoclismo!
Depois a troika volta, volta revigorada, instala-se e faz novamente das suas!
Fora com a troika! Fora! Fora! E que não volte mais! E Fora!

Portugueses, peçam à troika que enfie os memorandos no orifício que tem entre os glúteos! Onde entra facilmente a torre do BCE mais facilmente entra uma resma de papel!
Portugueses, peçam à troika que vá entroikar a tia dela!
Peçam-lhe que vá ver se chove em Bruxelas!
Peçam-lhe que vá dar banho à cadela Lagarde!
Peçam-lhe, por amor de deus, que se deixe de troikices de uma vez por todas!
Peçam-lhe que vá catar-se!
Portugueses, mandem a troika bugiar!
Mandem-na lixar!
Mandem-na apanhar gambuzinos americanos!
Mandem-na pastar caracóis alemães!
Mandem-na à vila dela!
Mandem-na à merda!
Mandem-na à merda e repitam-lhe que ela é e será sempre mal-vinda a Portugal!

A troika tem aversão ao grau normal do adjectivo pobre! As suas afinidades prendem-se inteiramente ao grau superlativo absoluto sintético daquele adjectivo: paupérrimo!
A troika quer transformar Portugal num país paupérrimo!
A troika quer transformar os portugueses num povo paupérrimo! Pobres de nós, entregues a esta rica salafrária!
A troika é prostituta a tempo inteiro e meretriz nas horas vagas!
A troika é antropófaga!
A troika é um banco alemão à paisana!
A troika é um banco  americano à paisana!
A troika quer esmifrar o povo português!
A troika quer falir o nosso país, as nossas vidas, os nossos destinos, os nossos sonhos e o nosso futuro!
A troika é uma máquina multifunções terrífica:  trucida, ceifa, debulha, abate, decapita, dizima, degola, electrocuta, estrangula, amputa, arruína, bombardeia, devasta, extirpa, fulmina, fuzila, demole , nulifica, corta, corta, corta e corta!
A troika é estóica!
A troika nunca devia ter nascido!
A troika é irresponsável e insuportável!
A troika urina nas cuecas!
A troika está possuída!
A troika é perita em paranóias!
A troika é paranóica!
A troika não presta!
A troika não acerta em nenhuma previsão!
A troika tem graves problemas de visão!
A troika tem problemas mentais!
A  troika é terrorista!
A troika é igual a ela própria elevada a cem!
A troika tem políticas estapafúrdicas, políticas que só agravam ainda mais os problemas de um país entregue a políticas gravosas!
A troika é incompetente! Confrangedoramente incompetente!
A troika é a responsável pelo maior ataque à democracia em Portugal desde 1974!
A troika não presta contas a ninguém senão às panças dos especuladores alemães e americanos!
A troika é um vírus quantofrénico que está a gangrenar todos os órgãos deste país!
A troika, ao invés de analisar exaustivamente as despesas e as receitas do estado português, devia analisar minuciosamente a sua consciência!
A troika está a deixar-nos exangues! Nos nossos corpos range uma palidez berrante!
A troika está a desmantelar as nossas perspectivas de vida social, cultural e económica!
A troika abusa de nós, oprime-nos, goza connosco, espezinha-nos, mutila-nos, escalpeliza-nos e quer  escorraçar-nos!
Fora com a troika! EFora! Fora!

Os memorandos de entendimento com a troika são uma treta: uma treta só comparável à própria troika!
Portugal não entende nem deseja entender tais memorandos!
Memorando de entendimento é o nome pomposo que a troika dá às suas certidões de óbito!
Portugal com a troika a comandar não é Portugal: é uma pena no cerne de um tufão!
Portugal não precisa das sangrias da troika! Já nos bastam as do governo!
Portugal não quer ouvir as histórias da carochinha que a gatuna tem para contar! Já nos bastam as do governo!
A antidemocracia da troika está a aniquilar a democracia em Portugal!
A troika é uma ditadora! Uma ditadora! Uma ditadora!
A troika quer humilhar-nos com a sua ditadura!
A troika está a narcotizar-nos!
A troika pretende induzir Portugal num estado comatoso!
Um país neste estado não reage, não se movimenta, não fala, não protesta, não opina, não pensa. É exactamente isto que a troika deseja!
A troika está a condenar-nos a uma morte lenta!

E julga a maior parte dos portugueses que a troika é apenas isto!
Pois fiquem sabendo que esta pulha é tudo isto mais tudo aquilo que ela é!
Portugueses, pelas armas e os barões assinalados, expulsemos a troika!
Proclamemos bem alto que exigimos vê-la fora do nosso país! E o mais rápido possível!
Expulsemos a troika, porque o seu desiderato, entre muitos outros, é deixar Portugal pior, muito pior, do que o encontrou!
A troika, sob o alto patrocínio de banqueiros, chefes de Estado e da impunidade, está a promover em Portugal um holocausto!
A troika quer crucificar-nos! Quer acabar connosco!
Portugueses, gritemos pois todos: Fora com a troika! Fora com a troika! EFora! Fora!
E que a safada não volte jamais!

Fora com a troika! EFora! Fora! Fora!

in Confidências de um português indignadíssimo
dinismoura

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Futebolices


A propósito das comparações que têm sido feitas entre Eusébio e Cristiano Ronaldo

""Ninguém se pode comparar a Elvis Presley. Ele é o Rei." - Luís Figo

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O que vai acontecer a Portugal no futuro?


Neste preciso momento, no preâmbulo de mais um período que se anuncia difícil, todavia crucial e deveras decisivo do nosso lato percurso histórico enquanto estado-nação, de todas as questões que podemos colocar sobre Portugal, uma há que pela sua inquestionável importância deve preceder todas as demais, a saber: O que vai acontecer a Portugal no futuro?

Creio que só estaremos plenamente cônscios da nossa actual situação quando lograrmos responder a esta questão, tão determinante como as decisões políticas que serão tomadas neste entrementes. 
Portugal, tal como hoje o conhecemos, estado independente e pertencente à União Europeia, é assaz expectável que num futuro não muito distante veja perdida a sua independência. Daqui a 30, 50, 100 anos, o nosso país surgirá possivelmente numa Europa que não a de hoje, com uma configuração institucional e política no antípoda da actual. 

Caso os timoneiros desta fímbria de terra já velha de tantos séculos insistam e reinsistam em manter e fertilizar a política que vêm apoiado e apregoado, uma política manifestamente de enfraquecimento, o país fracassará; caso o povo, já de si enfraquecido, naturalmente em consequência das fracas medidas encetadas por essa súcia de governantes fracos, continuar vergado a uma conjuntura enfraquecedora, o país sufocará, e rapidamente sucumbirá. 

Ora, se tomarmos em consideração as teorias darwinistas sociais, sabemos desde já o inevitável desfecho da tragicomédia, visto que a inexorável selecção natural, dando o privilégio de sobrevivência aos mais adaptados ao mundo, opta por eliminar os fracos. Mais: ao atentarmos aos compêndios de história, constatamos que não será a primeira vez que tal acontecerá. A Ilha da Páscoa funciona como um supino exemplo paradigmal: o seu povo desapareceu devido ao modo como viviam e às decisões que tomaram.
 

Escaparate dos recônditos

O padre da minha terra, hoje à tarde, na cerimónia de casamento de um casal homossexual:
- Declaro-vos homem e.... e isso aí... Pode beijar o noivo... mas... mas só lá fora...

ANALGÉSICOS PARA A DOR DE COTOVELO

Sou um alucinado, um alucinado competente, um intransigente alucinado cumpridor das minhas alucinações. Sou um alucinado exemplar. Sou federado e tenho as quotas em dia. Sou um alucinado notável, um alucinado superior aos demais alucinados.
Destas e análogas alucinantes alucinações é feito o combustível e o tutano dos meus alucinamentos. Estarei a alucinar? Alucinados extremos não têm alucinações tais. 
Tenho febre: 45°C à sombra, à sombra da vossa ignorância, seus vermes.
Aos vermes dou o privilégio de usufruírem duplamente das solas dos meus sapatos. Àqueles que não alcanço, aos felizardos esquivados, desejo um óptimo Carnaval. 


 
Indignado Levado da Breca
in ANALGÉSICOS PARA A DOR DE COTOVELO, 2ª. edição 
Edições Assim-Assim


Puta que os pariu

        Um conhecido semanário português, que se diz reputado, despolitizado e imparcial, pediu-me há dias para escrever umas quantas frases sobre os nossos governantes. Chamemos-lhe artigo de opinião. Solícito, prontamente aceitei o pedido expresso, visto ser a primeira vez que um periódico deste calibre, desta casta, me incumbia de decorar com as minhas apreciações, profecias e desabafos as suas frequentadas  páginas. Um privilégio ao alcance de poucos, pensei para mim, gabarolas. Adiante.

Como sempre costumo fazer em casos tais, peguei num molho de folhas, num lápis bem afiado e lancei mãos à obra. Durante quatro horas rabisquei, rabisquei, amarrotei folhas, vi sucederem-se frases, longos parágrafos. Quando se trata da política nacional, o meu cérebro é prodigo em opiniões, todavia, quando se trata especificamente dos nossos governantes, essa prodigalidade transforma-se em excedente opinativo, tal é a incomensurável quantidade de palavreado que me ocorre. Esta a explicação por que ao fim de uma hora tinha já ante mim sete páginas.

 Decidi fazer uma pausa. Para lubrificar os neurónios, bebi um Porto, algo que  me afinou o alento. Em pouco tempo, de enfiada, mais cinco páginas. Adição feita, tinha portanto doze páginas. Uma boa dose, sem dúvida. O editor havia-me pedido  página e meia, e eu, distraidamente, estava a caminho de um livro. Era necessário estreitar as demasias da esticadela. Foi o que fiz.

 Comecei por eliminar os lugares-comuns. Eram bastantes. Seguiram-se os apelos e os conselhos aos nossos dirigentes – também muitos. Sete páginas ainda. As explicações da inexplicável politicada deste governo, as  inevitáveis comparações com a política de outras nações: também foram contempladas com várias linhas de grafite. Riscos, riscos. Riscos igualmente sobre as piadas em relação a alguns ministros, riscos sobre a criticaria a todos os governantes. Três páginas ainda.

Repentinamente uma  dúvida abalroa-me o decurso da labuta redaccional: como abordar em página e meia um bestiário tão imenso? Um grito com notas de madeira retumbou nos meus ouvidos. Na origem do estampido um valente murro que pousei na minha mesa de trabalho. Chiça! Não tenho a mínima aptidão para sínteses, sobretudo  quando se trata de parricidas, os assassinos da própria pátria, minha também. Aborrecido, rasguei duas páginas e apenas poupei a primeira que havia escrito. Li-a, reli-a. De súbito ocorreu-me que a cáfila em causa  não merecia uma dúzia de linhas. Irritado, risquei, risquei. Parti o bico do lápis. Durante alguns instantes dei-me por satisfeito. Tal satisfação, no entanto, foi de curtíssima duração. Escrever uma dúzia de linhas sobre o carrasco do nosso país é atribuir-lhe importância. Recusei-me, recusei-me a escrever um tão grande número de palavras sobre quem é tão pouco. Uma linha, uma linha basta. Irra!, mas numa linha não cabe a infinidade de besteiras perpetradas pelos nossos governantes, o futuro besta que nos espera.

Ignominiosos governantes, crápulas, que até a elaboração de um artigo prejudicais. Por razões obviíssimas e perfeitamente compreensíveis e justificáveis, um  exaltado impulso vindo do âmago da minha repulsa accionou na minha mioleira uma vigorosa veneta. Zás!  Rasurei também a derradeira frase. Assim dei por concluído o artigo. Das doze páginas iniciais conservei apenas o título: Puta que os pariu, um título que, embora seja avesso a sínteses, como referi, conterá certamente grande parte do conteúdo que eliminei.

Depois de converter para formato digital o atribulado artigo, imediatamente o fiz chegar por correio electrónico à redacção do jornal. A resposta, estranhamente, não surgiu. O jornal saiu, corri-o de uma ponta à outra – nada. O artigo não foi publicado.

Intrigado, desiludido, zangado, decidi pedir esclarecimentos ao editor. Passaram já duas semanas e até ao momento ainda não recebi resposta alguma.

Um jornal despolitizado? Imparcial? Ah! Puta que os pariu também.


dinismoura